Por que a moda pode ser um ato social

Fernanda Motta, Lilian Pacce, Preta Gil e Astrid Fontenelle (Foto: Agência Brazil News)

O segmento de moda está em um triste pódium: o do trabalho escravo no Brasil. Segundo dados do Ministério Público do Trabal…

O streetwear ousado da Cacete Company estreia na SPFW

Cacete Company (Foto: Reprodução/Instagram)

 

De primeiro momento o nome pode parecer um tanto chocante. Mas a Cacete Company na verdade é isso. Choque puro e redondamente brasileira, apesar das influências gringas. “O nosso propósito é sempre ressignificar elementos do nosso cotidiano, e a palavra cacete tem vária possibilidades. Pode ser interpretá-la como um superlativo, como algo grandioso; pode ser um palavrão e em algumas regiões do Brasil significa apenas pão”, contam os sócios Rafael Ribeiro, o criativo, e Tiago Carvalho, o marqueteiro, à GQ

Lançada no mercado em 2015, praticamente um bebê, foi o mercado masculino que instigou os sócios que, durante o processo, decidiram focar no underwear. “Pensamento então em transformar essa peça em um produto mais elaborado, provocativo e com um viés sexual”. Além de ser disruptiva e explorar o universo do street, a marca vem da intenção de valorizar o mercado nacional e, principalmente o de sua cidade natal, Belo Horizonte. “A região de Belo Horizonte, é ponto importante para nós e nos faz sentir parte integrante desse todo, gerando renda e valorizando a criatividade de quem cola com a gente: parceiros, fornecedores e colaboradores. Assim, tudo que está relacionado à cultura da capital mineira nos interessa”, contam. Inclusive, todos os produtos da Cacete são produzidos lá. “Os produtos são todos fabricado em Minas. O produto final fica mais caro, porque todo mundo ganha com a produção, desde o cara que vende a matéria prima, a costureira, a modelista, etc”.

Cacete Company (Foto: Reprodução/Instagram)

 

As inspirações da marca são vastas. Desde a rua a musicalidades. “A música é um ponto forte para a nossa criação, por isso temos sempre um som ligado quando estamos experimentando. Na playlist da Cacete (que está disónível no Spotify), tem as subversivas Linn da Quebrada, M.I.A., Brooke Candy, rappers como Tassia Reis, Karol Conka, Rico Dalasan e Frank Ocean, só pra citar alguns”. Política também é um ponto forte. “Hoje, vivemos num cenário político muito sensível, então o que temos observado é a maneira como a moda tem se relacionado com isso.  O que as marcas estão deixando de fazer, nós estamos com todo tesão para realizar. E isso acontece em ações como posicionar-se politicamente. Zuzu Angel é uma grande e eterna fonte de inspiração”, declaram os sócios.

Cacete Company (Foto: Reprodução/Instagram)

 

Se preparando para voos mais altos, a Cacete fará o seu primeiro desfile na principal semana de moda do Brasil, a São Paulo Fashion Week. O desfile que acontece na próxima sexta-feira (26) promete ser, digamos, provocativo. “Vamos questionar a maneira de como se relacionar com o corpo e propomos uma colagem de referências em que a legenda principal é o pós-pornô, que teve sua origem em meados dos anos 90. Então, na passarela, esperem por recortes em lugares inusitados, espartilhos e experimentação de modelagens”.

Para o futuro, nada menos do que uma estruturação financeira potente e que propague a marca digitalmente. “Queremos viver apenas da venda de produtos, por isso vamos focar no nosso e-commerce para continuar atendendo o Brasil e outros países”. No final, é sobre isso. Marcas nativas do Brasil, que valorizam o mercado e que desejam viver da própria criação. A Cacete é exemplo vivo disso e, definitivamente, é uma marca para se acompanhar.

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Cacete Company (Foto: Reprodução/Instagram)

 

“Já podem me dar personagens com filhos adultos”, brinca Murilo Rosa

Murilo Rosa em "A Cabeça de Gumercindo Saraiva" (Foto: Mariana Catalane)

 

Aos 48 anos, Murilo Rosa já se desprendeu do rótulo de galã. No ar como Jorge em Orgulho e Paixão, o ator será visto a partir do dia 25 de outubro nos cinemas brasileiros como Major Ramiro de Oliveira, um personagem histórico central da trama de A Cabeça de Gumercindo Saraiva, que remonta o cenário da Revolução Federalista, no fim do século XIX.

Lembrado até hoje pelo personagem Afonso Corte Real, da minissérie A Casa das Sete Mulheres, da TV Globo, Murilo Rosa se sente em casa ao ser inserido no passado histórico gaúcho. “Amo o sul e tudo o que ele representa. Seu povo, seus heróis. Poder viver personagens simbólicos é algo que me deixa feliz e honrado”, disse em entrevista à GQ.

Murilo Rosa em "A Cabeça de Gumercindo Saraiva" (Foto: Dulce Helfer)

 


Na história, o legalista Major divide as atenções com Francisco Saraiva (Leonardo Machado), filho de Gumercindo Saraiva, revolucionário que teve a cabeça cortada pelo personagem de Murilo. Mesmo em lados opostos e com o clima de vingança pairando no ar, os personagens se respeitam e dificilmente serão vistos como “bem e o mal”.

Murilo encontra um paralelo entre a polarização da trama com a política nacional em 2018. “O mundo está em guerra desde sempre. Triste. É muito louco imaginar que estamos vivendo isso hoje no Brasil. Devíamos estar juntos. Nos respeitando. Mesmo com opiniões diferentes. Pena que existem outros interesses”, comenta.

Murilo Rosa em "A Cabeça de Gumercindo Saraiva" (Foto: Dulce Helfer)

 


Perto dos 50 anos, o ator acredita que a idade, na verdade, traz novas oportunidades na sua carreira. “Representa que já podem me dar personagens com filhos adultos”, brinca, aos risos. “A verdade é que sinto que posso fazer qualquer personagem. E admiro diretores que te propõe novos desafios”, complementa.

Por isso, o rótulo de galã talvez não faça mais tanto sentido. “O ‘galã’ está muito ligado a novelas que fiz e que fizeram sucesso. E claro que muito do que conquistei na vida foi por causa de personagens que caíram no gosto popular. Só posso agradecer. No cinema, isso não importa muito. Vamos em frente”, conclui.

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Receita: aprenda a fazer asinhas crocantes e um molho barbecue caseiro

Asinhas crocantes ao molho barbecue (Foto: Gustavo Pitta )

Tem umas cervejinhas gelando na cozinha, mas quer aproveitá-las como se deve? Ou talvez vá receber amigos nesse fim de semana e não sabe bem o que fazer? Nesses caso…

Você precisa conhecer a morada rústica de Wilbert Das

Wilbert Das (Foto: Divulgação)

 

Só quero fazer coisas que tenham alma”. Essa é a primeira informação da homepage do Uxua Casa, que apresenta o trabalho de decoração e arquitetura de Wilbert Das, designer holandês radicado há 10 anos em Trancoso, na Bahia, onde construiu, ali no Quadrado, o Uxua, um dos hotéis mais bacanas do lugar.

Na verdade, são 11 casas, completamente diferentes umas da outras e com tamanhos que variam entre uma e três suítes, nas quais os clientes se hospedam com total privacidade – e muita brasilidade. Quatro delas, assim como a entrada do hotel, eram originalmente moradias de pescadores, enquanto as outras foram construídas espalhadas pelo exuberante jardim de aproximadamente 6 mil m2 repleto de plantas e flores tropicais.

Wilbert Das (Foto: Divulgação)

 


Não por mera coincidência, Wilbert decidiu fazer o seu lar colado a esse seu paraíso particular. A casa na qual ele vive há um ano fica escondida atrás de uma das onze do hotel – uma verdadeira experiência estética para quem é ligado em design (é possível fazer uma visita!). Com ênfase na cultura brasileira, a decoração privilegia o trabalho dos artesãos locais. De fato, tudo ali parece ter alma.

Wilbert Das (Foto: Divulgação)

 

“Criar com as pessoas daqui de Trancoso é um prazer. Eles são ótimos artesãos de cerâmica, madeira e pintura, sempre trabalhando com alegria. Coisa rara de encontrar”, conta Wilbert, que, uma década atrás, trocou a bem-sucedida carreira de diretor de criação da Diesel, na Itália, pelo projeto do seu Uxua, palavra que vem da língua indígena pataxó e significa “maravilhosa”.

Com quatro suítes, varanda coberta de 33 metros que percorre todo o comprimento da construção, salão ao ar livre e cozinha social, sua casa foi feita junto com índios pataxós usando técnicas tradicionais e materiais reciclados como telhas de terracota e de madeira, portas e janelas antigas e paredes e azulejos de argila.

Wilbert Das (Foto: Divulgação)
Wilbert Das (Foto: Divulgação)

 

Para além das peças one of a kind que ganham força pela bossa brasileira e fazem parte da coleção Uxua Casa, o que garante elegância peculiar ao lugar é a mistura que Wilbert consegue fazer também com suas referências europeias de design e arte. A parede de seu quarto, por exemplo, serviu de suporte para a holandesa Machteld Schouten pintar in loco a reprodução de uma aquarela que retrata a paisagem da Amazônia no século 19.

Wilbert Das (Foto: Divulgação)

 


“Vi no Itaú Cultural, em São Paulo, o trabalho do botânico alemão Carl Friedrich Philipp von Martius e tive a ideia de fazer essa livre interpretação”, lembra Wilbert, que hospedou a criadora como parte de seu projeto de residência artística. Ex-parceiro na Diesel, o designer holandês Peter Kempkens é outro que vira e mexe passa um tempo em Trancoso para bolar colaborações como o sofá e as almofadas de jeans. Tudo artesanal made in Bahia, mas, ao mesmo tempo, com toque cosmopolita.

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Wilbert Das (Foto: Divulgação)