Christie’s faz história com o primeiro leilão de uma obra pintada por inteligência artificial | Noticias

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Christie’s faz história com o primeiro leilão de uma obra pintada por inteligência artificial
 (Foto: Reprodução/@obvious)

 

Uma obra de arte pensada por algoritmo é o novo item-desejo a ser leiloado pela Christie's. A obra acima, entitulada Portrait of Edmond Belamy, será apresentada em Nova York em evento que acontece nos dias 24 e 25 de outubro. Ainda que um tanto tosca, a pintura marca a primeira vez que algo desenhado por uma mente sintética vai a leilão. O que ajuda a justificar o lance inicial projetado de 7 ou 10 mil dólares.

A novidade levanta suas questões, claro. Por exemplo, como lidar com a questão autoral quando o talento por trás do quadro é esse carinha aqui?

 (Foto: Reprodução/@obvious)

 

Dilema para fazer As Meninas, de Velásquez parecer papo simples, talvez? No caso, ajuda a pensar que o desenvolvedor por trás do algoritmo (chamado de GAN, ou Rede Adversarial Generativa para os íntimos) é bem real: trata-se do coletivo parisiense chamado Obvious. É o grupo que criou o robô, um projeto que tenta mostrar que IAs são capazes por si só de expressar criatividade.

A GAN é uma pintora com uma baita bagagem cultural: seu banco de dados conta com 15 mil obras que englobam do século 14 ao 20, um conjunto criativo que ele usa para se 'inspirar' - ou seria algo mais próximo de 'entender'. É essa dicotomia o fator fundamental para entender os limites desse conceito: o algoritmo ficou craque em pintar retratos, muito mais que qualquer outro tipo de pintura (naturezas-mortas, nus e afins), mas uma máquina ainda é incapaz de interpretar e criar sobre as curvas suaves e variadas do rosto humano, resultando no semblante fantasmagórico de seus personagens.

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Por sinal, Edmond de Belamy, o cara ali do quadro, também nunca existiu de carne e osso. Ele e a família Belamy, constantes assuntos da obra da GAN, são mais como misturebas de todos aqueles milhares de retratos que ela tem em mente. O nome homenageia o inventor da fórmula, Ian Goodfellow ('Good fellow' e 'Bel ami' ambos significam 'bom companheiro')

Em essência, GAN não é uma nova ideia - lembra das imagens caleidoscópicas do DeepMind? - mas é a primeira vez que algo do tipo é validado como arte de fato - ao menos em um leilão.


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