Esquema que levou Palocci à prisão envolve irregularidades na compra de 21 navios sonda 

Palocci foi preso na 35ª fase da operação Lava Jato
Reprodução internet

As investigações da Operação Jato que sustentam o pedido de prisão temporária do ex-ministro Antonio Palocci, na manhhã desta segunda-feira (26), apontam para o envolvimento direto do ex-ministro no processo de licitação para a compra de 21 navios sonda, favorecendo empresas que pagaram propina. 

São apuradas as práticas, dentre outros crimes, de corrupção, associação criminosa e lavagem de dinheiro.

Segundo a Polícia Federal, entre as negociações identificadas foi possível delinear as tratativas entre o Grupo Odebrecht e o ex-ministro para a tentativa de aprovação do projeto de lei de conversão da MP 460/2009 (que resultaria em imensos benefícios fiscais), aumento da linha de crédito junto ao BNDES para país africano com a qual a empresa tinha relações comerciais.

As investigações também indicam a  interferência de Palocci no procedimento licitatório da Petrobras para aquisição de 21 navios sonda para exploração da camada pré-sal.

Ex-ministro Palocci é preso em nova fase da Operação Lava Jato

Outro núcleo da investigação apura pagamentos efetuados pelo chamado “setor de operações estruturadas” do Grupo Odebrecht para diversos beneficiários que estão sendo alvo de medidas de busca e condução coercitiva.

Nome da operação que prendeu Palocci é código entre mafiosos 

Antonio Palocci foi preso em São Paulo na manhã desta segunda
Dida Sampaio/20.11.2014/Agência Estado

A Polícia Federal escolheu o nome Omertà (do latim humilitas; “humildade”) para batizar a 35ª fase da operação Lava Jato que prendeu o ex-ministro da Fazenda, Antonio Palocci.

É um termo da língua napolitana que define um código de honra de organizações mafiosas do Sul da Itália. Em todo o mundo, a palavra define a principal lei das organizações criminosas. O código de silêncio entre os membros que impede as delações. Em caso de quebra deste princípio, a pena imposta pela organização geralmente é a morte.

Ex-ministro Palocci é preso em nova fase da Operação Lava Jato

Dentro da estrutura da máfia, a Omertà é a regra estrutural que impede o surgimento de delatores e traições. Nos EUA, onde a máfia italiana também teve uma atuação forte, o código de silencioso sobre as atividades criminosas era extremamente rigoroso com quem contribuia com informações para o FBI, órgão de segurança pública federal do governo americano responsável pela investigação do crime organizado.

Ex-ministro Palocci é preso em nova fase da Operação Lava Jato

Palocci foi preso na manhã desta segunda-feira
Antonio Cruz/07.06.2011/ABr

O ex-ministro Antonio Palocci foi preso na manhã desta segunda-feira (26) em nova fase da Operação Lava Jato. Palocci foi ministro durante o governo de Dilma Rousseff e Lula. A PF (Polícia Federal) expediu 45 mandados judiciais, sendo 27 de busca e apreensão, três de prisão temporária e 15 de condução coercitiva. A 35ª fase acontece em São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Bahia, Mato Grosso do Sul e no Distrito Federal.

Suspeitas contra o ex-ministro surgiram na delação da Lava Jato. O ex-diretor de abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa disse que Alberto Youssef pediu R$ 2 milhões da cota de propinas do PP para a campanha da então candidata Dilma Rousseff em 2010. O pedido, segundo a delação, teria sido feito por encomenda de Palocci.

Nesta fase da operação Lava Jato são investigados indícios de uma relação criminosa de Palocci com o comando da Odebrecht. Segundo a PF, o investigado principal atuou diretamente como intermediário do PT e a empreiteira.

Além disso, a PF diz que “há indícios de que o ex-ministro atuou de forma direta a propiciar vantagens econômicas ao grupo empresarial nas mais diversas áreas de contratação com o poder público, tendo sido ele próprio e personagens de seu grupo político beneficiados com vultosos valores ilícitos”.

Dentre as negociações identificadas pela investigação, foi possível delinear as tratativas entre o grupo e o ex-ministro para a tentativa de aprovação do projeto de lei de conversão da MP 460/2009, aumento da linha de crédito junto ao BNDES para país africano com a qual a empresa tinha relações comerciais, além de interferência no procedimento licitatório da Petrobras para aquisição de 21 navios sonda para exploração da camada pré-sal.

Outro núcleo da investigação apura pagamentos efetuados pelo chamado “setor de operações estruturadas” do Grupo Odebrecht para diversos beneficiários que estão sendo alvo de medidas de busca e condução coercitiva. São apuradas as práticas, dentre outros crimes, de corrupção, associação criminosa e lavagem de dinheiro.

Na semana passada, outro ex-ministro foi alvo da Lava Jato. Guido Mantega teve a sua prisão temporária pedida pelo juiz Sérgio Moro, passou parte da manhã e começo da tarde na sede da Polícia Federal, no bairro da Lapa, zona oeste da capital, mas teve o pedido de prisão revogado por Moro após saber que a detenção de Mantega fora feita enquanto ele acompanhava a mulher no hospital.

SP e RJ têm debates agressivos a uma semana das eleições 

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Seis candidatos participaram de debate em São Paulo
Eduardo Enomoto/R7

Trocas agressivas de acusações marcaram os debates entre candidatos a prefeitura promovidos pela Rede Record em São Paulo e no Rio de Janeiro na noite deste domingo (25), uma semana antes das eleições municipais. Na capital fluminense, o peemedebista Pedro Paulo foi alvo dos adversários, que focaram na denúncia de agressão que a ex-mulher moveu contra o candidato. Em São Paulo, a artilharia se voltou principalmente contra Marta Suplicy, também do PMDB, que teve sua gestão como prefeita da capital atacada pelos adversários.

Em embate entre Fernando Haddad (PT) e Celso Russomanno (PRB), o deputado questionou o excesso de taxas criadas pela senadora e o petista afirmou que ela gastou muito mais do que podia na segunda metade de sua administração.  Em ataque direto, Russomanno disse que a senadora “estava em Paris com o marido aproveitando a vida” enquanto os paulistanos sofriam com alagamentos.

Marta teve, ainda, que responder sobre o apoio ao presidente Michel Temer e sobre a aliança que fez com o ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD). Haddad insinuou que a proposta da senadora de retomar a inspeção veicular caso vença as eleições foi exigência de Kassab: “Quais outras ele fez?”, questionou o prefeito.

A senadora foi atacada, ainda, em embate direto com os deputados Major Olímpio (SD) e Luiza Erundina (PSOL). Ele a questionou sobre suposta liberação de R$ 3,5 milhões para o estilista Pedro Lourenço fazer desfiles na Europa quando era ministra da Cultura e sobre citação do nome dela em delação premiada na Lava Jato. Marta negou as duas acusações e disse que respeita a investigação sobre desvios na Petrobras.

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Já Erundina questionou o apoio de Marta ao presidente Michel Temer que, segundo a deputada, vai revogar direitos trabalhistas importantes. A senadora também negou que irá votar a favor de qualquer medida que prejudique direitos adquiridos por trabalhadores.

João Doria (PSDB) também foi alvo dos adversários. Haddad e Luiza Erundina (PSOL) dispararam contra as propostas do tucano de privatização do autódromo de Interlagos e do Palácio das Convenções do Anhembi. A socialista usou palavras fortes contra o empresário, como “lobista” e disse que ele tem uma “visão estreita” com a ideia das privatizações na capital paulista.

Depois das acusações, o tucano pediu direito da resposta para a organização e recebeu o aval. Em 30 segundos, disse ser “trabalhador” e avisou que “tudo o que conquistou na vida foi trabalhando”.

— Não sou lobista, sou dedicado. Posso olhar nos olhos de vocês e dizer que sou decente e honesto.

O debate paulista, com particpação de seis candidatos, teve mediação da apresentadora Adriana Araújo. 

Oito candidatos participaram do debate no Rio de Janeiro
Danilo Nascimento/Rede Record

Rio de Janeiro

O assunto violência contra mulher dominou a primeira rodada de perguntas com temas livres no Rio. O primeiro a trazer o assunto foi o candidato Índio da Costa. Em um ataque indireto a Pedro Paulo, que teve denúncia de agressão contra sua ex-mulher arquivada pelo STF (Supremo Tribunal Federal), Índio questionou a candidata Jandira Feghali sobre a Lei Maria da Penha.

O candidato Alessandro Molon insistiu no assunto e destacou que o programa de governo de Pedro Paulo não tem “propostas concretas” sobre o tema. O peemedebista se defendeu e lembrou que o seu processo foi arquivado.

—  Meu processo foi investigado por dez meses e chegaram a uma conclusão que as acusações são falsas e sou inocente. Eu sou absolutamente contra violência doméstica. Meu programa pretende manter a Secretaria da Mulher e criar mais cinco casas de acolhimento, além de mais creches e saúde para as mulheres.

Molon destacou o que chamou de risco de se ter “um prefeito que dá um péssimo exemplo para cidade. Bater em mulher não é só um problema entre o casal”.

Além das acusações de agressão à ex-mulher, Pedro Paulo também ouviu críticas à gestão de Eduardo Paes (PMDB), seu padrinho político. Líder nas pesquisas, Marcelo Crivella (PRB) afirmou que a atual administração municipal tirou recursos de áreas prioritárias para investir nas Olimpíadas. Entre as muitas críticas de Marcelo Freixo (PSOL), o candidato, que está empatado tecnicamente em segundo lugar com Pedro Paulo, destacou que a passagem de ônibus aumentou 77% no governo Paes, uma vez que no período a inflação foi de 55%.

O debate carioca teve partcipação dos candidatos Marcelo Crivella (PRB), Marcelo Freixo (Psol), Pedro Paulo Carvalho (PMDB), Flávio Bolsonaro (PSC), Índio da Costa (PSD), Jandira Feghali (PCdoB), Alessandro Molon (Rede), Carlos Roberto Osório (PSDB) e foi mediado pela apresentadora Janine Borba. 

Assista à íntegra do debate em São Paulo:

Assista à íntegra do debate no Rio de Janeiro: