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Para Edu Lyra, homem do ano em Responsabilidade Social: “a força do espírito humano muda a história”
Edu Lyra, criador do Gerando Falcões (Foto: Divulgação)

 

"O Elon Musk está se preparando para chegar a Marte, não faz sentido ter favela”, crava Edu Lyra. Idealizador do Gerando Falcões, rede de ONGs que atuam em periferias e favelas, Lyra, não é alheio à hipérbole – e nem deveria. Sua organização social já chamou a atenção de empresários como Jorge Paulo Lemann e Flávio Augusto da Silva e atende hoje a milhares famílias através de mais de 20 programas que englobam esportes, educação, artes e empreendedorismo.

Depois de um primeiro investimento feito pelo Instituto PDR em 2013, o Gerando Falcões foi ganhando nome e capital por meio de jantares beneficentes: 420 mil reais arrecadados no primeiro; 550 mil reais no segundo. E daí contatos preciosos, que levaram a parcerias com empresas como Itaú, Microsoft e Oracle. Foi de uma conversa com Bernardo Pinto Paiva, diretor-presidente da Ambev, que surgiu a chance de transformar vontade em boa gestão. “Eles passaram cinco meses conosco, ajudando-nos a criar uma base, metas e indicadores de performance”, reconhece. “Pode ter uma empresa que seja igual a gente em gestão, mas melhor é difícil imaginar”, completa o empreendedor.

Tudo tem um começo, e a infância dificultosa em uma comunidade em Poá, São Paulo, serviu como o germe da ideia. “O Gerando Falcões veio da escassez”, comenta. “Nasci em uma favela, cresci em um barraco de terra batida, meu pai foi carcerário”. Em meio à lembrança, o que Lyra resgata é um alerta de sua mãe: “Não importa de onde você vem, importa na vida para onde você vai”.

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Distante da rede que hoje lidera, o Gerando Falcões nasceu em 2011 da grana que Lyra conseguiu vendendo de forma independente seu primeiro livro, o Jovens Falcões. “Vendi cada um por R$9,99 e logo havia distribuído cinco mil livros”, lembra. Tudo foi surgindo com um objetivo: fazer da favela coisa de museu. Através de impacto social, sim, mas também do resgate da autoestima. E o que o prêmio de Responsabilidade Social da GQ lhe diz? “O voo de lá de onde eu estava para cá parecia impossível, mas prova que a força do espírito humano muda a história”, admite.

“Eu não tinha dinheiro para condução, tinha que comer em bandejão e hoje tudo mudou”, lembra Lyra, que quer seguir inspirando jovens e ensaiando o primeiro voo de novos falcões. E hoje ele diz de peito aberto: “Não disputo com traficante, concorro com o Elon Musk”.


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